quinta-feira, 10 de julho de 2014

UMA VALSA EM MIM

Rodopia no âmago, machuca o coração...
Atiça sensações guardadas no esquecimento
que vêm à tona com força de aluvião,
escorrem como límpidas cachoeiras
formando correnteza
que desaguam num mar de ilusão...
Lava a alma que límpida e leve
envolvida em subtil sensação
flutua no ar como se estivesse num salão...
Gira...gira... gira... num céu encantado
e no último acorde, desperta trémula
desprendendo-se qual flor machucada
caindo murcha nos bosques do coração.

(Julho 2014)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010




Eu adoraria
Amar novamente,
como uma inocente criança q abre um novo presente...
pra beijar, abraçar...
mas com carinho,
apoiado em todos os sentidos do corpo, da alma, dos astros...
respirar fundo e ouvir a respiração do outro,
em meio a compassadas batidas de dois corações...
que de tão próximos, não se possa saber qual bate mais rápido e mais calmo,
como num rio q percorre seus caminhos...
de forma nem curta e nem longa demais,
mas de uma forma verdadeira e inteira...
e calma...
tranqüila...
longas risadas intimas...
usufruir da maior liberdade q existe...
a liberdade de estar completamente vivo e inteiro...
compartilhar de desventuras, aventuras, conquistas e sonhos...
ser feliz...
e talvez não todo o dia...
mas cada vez q olhar para o outro...
ser feliz... sempre, sempre, sempre...


Eu quero

Quero ser o mais feliz de todos os seres
Ser a água que corre
No leito do rio
Que desce as corredeiras
A encosta da montanha
Ser a terra que semeia
Que nos firma o passo
Que sustem as casas
Ser o ar que respiro
Onde voam os pássaros
Onde segue impressionantes máquinas flutuantes
Pipas, cafifas multicores
Em meio a nuvens;
Ser o fogo que aquece
Que transforma pedra bruta
Em lindo colar
Lareiras românticas, dosadas de bom vinho
Quero ser eu, dotado de tantos sonhos
De tantas percepções de vida fiel
Quero sorrir como agora
Ao lembrar de tudo o que há de belo
E de meus amigos e amores ao meu lado
Desfrutando de toda essa contemplação
Da simplicidade de ser feliz

Tuas mãos

Lembro das covinhas e cada curva de tuas mãos
Que um dia me conduziram a você

Você chegou a mim,
Me deu a mão
E ali estavam elas...
Covinhas, que não me saem da memória;
Mãos delicadas
Como as que de uma criança
Porém, de palmas ásperas, de luta e força,
Que precisaram fazer pela dura vida,
Te deixando ainda mais indefesa
Que teus olhos a denunciar...
Essas mãos onde me aconcheguei
E que por muito, me acarinharam...
Valeram-me o sonho...
Velaram-me o sono...
Correram sobre todo o meu corpo
Cada centímetro vasculhado
Por tatos curiosos e consentidos
Por intimidade
Como se ali fosse tudo teu
E de tuas mãos...
Fixaram tua força em mim
Ganharam minha alma...
Suas mãos que um dia me fizeram sua
Com a mesma delicadeza de sua existência
Hoje batem palmas ao mundo...
E que sigam, seu apontado destino;
E que toquem, como me tocaram um dia...
Pois elas em mim,
Ficarão para...
Sempre... Sempre... Sempre...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009


Tu que de mil mesuras me condenas
A tantos castigos e dor sem fim.
Oh rei que sem saber
Tanto comandas minha vontade,
Acalentas tanta alegria e tristeza em mim.
Quantas horas passadas sem dormir.
Quantas horas mais meu senhor?
Sem saber o que pensar
Penso apenas pensar mal assim.
Meu pensamento não tem vontade
Voa para longe de mim.
Em qual lonjura se encontra agora?
Que eu não sei onde o perdi.
Meu rei e meu senhor
Onde e quando terá fim?
Não me reconheço neste pranto
Que nunca outrora em mim parou
Penso que será do sono
Que o senhor meu rei me levou.

Meu rei me embala em melodias doces
E para mim tem sabor a fel.
Queria eu a paz que tivera antes!
A saudade que tenho em mim
De um momento sem ter que esquecer
O quanto eu sofro assim!


Efémera melodia me trazes
Leve brisa suave
Que segredos escondes colhidos
Em mares nunca navegados.
Enquanto sopravam tormentas
Em tantos caminhos e encruzilhadas
Que lembra demónios pelando
Pela alma dos condenados.

Brisa fresca matutina,
Áurea rósea imaculada.
Tão bela!
Tão perfumada,
Fosses tu mais bravia
E eu seria arrastada.

Deixam marcas geladas
Essas carícias em meu regaço
E eu sonho com chama ardente
Que sempre cuidei em não sentir,
Mas fora tanta a promessa!
Tanta e tão bem enlaçada
Que descurei no prevenir
E acabei enregelada.


Estrela que tremes no alto céu
Entre tantas outras sem igual
São tão belos teus reflexos
Que fazem inveja ao luar.

Não deixes tinhosa a lua menina
Empinada em seu manto de luar
Lembra as grandes damas,
Com seus longos vestidos
Em todo o seu esplendor,

Sabe a lua altiva e sábia
Da natureza da sua adversária
Reconhece que a insignificância
Que a estrela mostra é falsa
Não fosse o sol amante da lua,
Um grande astro caloroso e ardente,
Que olha invejoso ao passar
A grandeza e a liberdade deixada
Por cada estrela cadente.

Tal é a zanga dos dois
Em dias e noites assim
Chegam algumas vezes até
A se baterem por fim.

Os ciúmes da grande lua são esquecidos então
O grande astro a beija sequioso
Deixando o mundo na total escuridão.